EDIÇÃO ESPECIAL  •  Quinta-feira, 28 de agosto de 2026  •  Ano I — Nº 01
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O jornal do 9º ano · PD III Ciências

9A Notícias

“A ciência que transforma o mundo — e as mulheres que a fizeram acontecer.”
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Retrato de Marie Curie, física e química polonesa-francesa, primeira mulher a ganhar um Nobel.
Marie Curie em seu laboratório, início do século XX. Ela recebeu dois Prêmios Nobel em áreas científicas diferentes — um feito inédito até hoje. / Reprodução
Capa · Ciência

A cientista que abriu as portas do átomo — e derrubou as paredes da academia

Marie Curie foi a primeira mulher a receber um Prêmio Nobel, a única pessoa a vencer em duas áreas científicas diferentes e a primeira professora mulher da Sorbonne, em Paris. Sua descoberta do rádio e do polônio, no fim do século XIX, mudou para sempre nossa compreensão da matéria — mas foi também o gesto pioneiro de uma geração inteira de mulheres que insistiu em ser ouvida dentro dos laboratórios.

Nascida em Varsóvia em 1867, quando a Polônia estava sob domínio russo e as universidades locais não aceitavam mulheres, Maria Skłodowska estudou às escondidas em uma escola clandestina antes de emigrar para a França. Formou-se em Física e Matemática pela Sorbonne — e ali começou a longa história que lhe renderia dois Nobéis: o de Física em 1903, dividido com o marido Pierre e Henri Becquerel, e o de Química em 1911, este só seu.

Curie cunhou o termo radioatividade e provou que ele era uma propriedade dos átomos, e não uma reação química. Durante a Primeira Guerra Mundial, transformou automóveis em unidades móveis de raios-X — as chamadas “petites Curies” — que salvaram milhares de soldados feridos nos campos de batalha.

“Não devemos ter medo de nada na vida. Precisamos apenas entender”, escreveu ela em uma de suas cartas. Foi essa frase, mais tarde imortalizada, que virou lema silencioso de gerações de meninas que ousaram entrar em salas de aula onde ninguém as esperava.

Por PH, editor-chefe · com colaboração de Isabella e Renato

Ciência · Mais matérias da edição

Rosalind Franklin, química britânica, autora da Fotografia 51 do DNA.
DNA · Biologia

A “Fotografia 51”: a imagem que mudou a biologia e quase foi apagada da história

Rosalind Franklin capturou, com raios-X, a primeira imagem nítida da dupla hélice do DNA em 1952. Watson e Crick usaram sua foto sem que ela soubesse — e ganharam o Nobel quatro anos depois de sua morte. Hoje, ela é reconhecida como uma das figuras centrais da descoberta.

Por Isabella · Editoria de Ciência
Retrato de Ada Lovelace, matemática britânica considerada a primeira programadora do mundo.
Computação · Séc. XIX

A matemática vitoriana que escreveu o primeiro algoritmo — 100 anos antes do primeiro computador

Ada Lovelace, filha de Lord Byron, publicou em 1843 um conjunto de notas sobre a Máquina Analítica de Charles Babbage. Nelas está o algoritmo considerado o primeiro programa de computador da história. Ela previu, ainda, que máquinas poderiam um dia compor músicas.

Por Renato · Reportagem
Nise da Silveira, médica psiquiatra brasileira.
Brasil · Psiquiatria

A psiquiatra brasileira que trocou o eletrochoque pela pintura

Alagoana, formada em uma turma com 157 homens e apenas ela, Nise da Silveira revolucionou a psiquiatria no Brasil ao rejeitar tratamentos violentos e propor, em seu lugar, a arte e o afeto. Criou o Museu de Imagens do Inconsciente, no Rio, referência mundial em saúde mental.

Por Laura · Editoria de Cultura Científica
Bertha Lutz, bióloga e ativista brasileira.
Brasil · Biologia

Bertha Lutz: a bióloga brasileira que também escreveu direitos das mulheres na Carta da ONU

Cientista de renome internacional em zoologia — especialista em anfíbios —, Bertha Lutz foi uma das quatro mulheres a assinar a Carta das Nações Unidas em 1945 e uma das principais responsáveis pela inclusão da igualdade de gênero no documento. Fez da ciência e da política uma mesma luta.

Por Everlyn · Reportagem Especial

Mais lidas da semana

  1. Marie Curie e o preço invisível do rádio

    Ciência · 3 min
  2. Como Ada Lovelace previu a inteligência artificial

    Tecnologia · 4 min
  3. Os cadernos radioativos que ainda não podem ser tocados

    Curiosidade · 2 min
  4. Meninas na ciência: os números no Brasil de hoje

    Sociedade · 5 min
  5. Rosalind Franklin: a virada tardia do reconhecimento

    História · 3 min

Uma linha do tempo da ciência feita por mulheres

1843
Ada Lovelace publica o 1º algoritmo

Notas sobre a Máquina Analítica de Babbage. Nasce a computação teórica.

1903
Marie Curie ganha o Nobel de Física

Primeira mulher a receber o prêmio. Estudo sobre radioatividade.

1911
Curie recebe seu 2º Nobel

Desta vez em Química — feito único até hoje na história do prêmio.

1932
Bertha Lutz e o voto feminino

Sua militância ajuda a garantir o direito de voto às mulheres no Brasil.

1946
Nise da Silveira funda a Terapia Ocupacional

Cria a Seção no Rio de Janeiro. Arte como tratamento em saúde mental.

1952
Franklin captura a Fotografia 51

A imagem que revelou a estrutura em dupla hélice do DNA.

1962
Rachel Carson e a “Primavera Silenciosa”

Bióloga marinha lança a moderna consciência ecológica.

1983
Barbara McClintock e o Nobel

Descoberta dos “genes saltadores”. Décadas depois de sua pesquisa.

2020
Charpentier e Doudna — CRISPR

Nobel de Química pela ferramenta que edita o DNA. Duplas de mulheres inéditas.

Não devemos ter medo de nada na vida. Precisamos apenas entender. Agora é a hora de entender mais, para temer menos.
Marie Curie, física e química · Prêmios Nobel de 1903 e 1911
Marie Curie trabalhando em seu laboratório. Bertha Lutz em ambiente formal, cientista e ativista brasileira.
Reportagem especial · Sociedade

Meninas nos laboratórios: o Brasil ainda tem uma dívida com a ciência

Segundo dados da Unesco, apenas 33% dos pesquisadores no mundo são mulheres. No Brasil, o número é um pouco melhor — cerca de 46% —, mas cai drasticamente nas áreas de tecnologia, engenharia e física. Em ciências exatas, mulheres somam menos de um terço dos alunos matriculados nas universidades brasileiras.

“Não é falta de talento. É falta de espaço, referência e incentivo desde a escola.”

Iniciativas como o programa Meninas na Ciência, da UFRGS, e as olimpíadas brasileiras de matemática e astronomia mostram que, quando meninas são convidadas com a mesma intensidade que meninos, os resultados aparecem. Em olimpíadas científicas, a participação feminina cresce quase 15% ao ano no Brasil desde 2015.

Nossa turma resolveu contar essas histórias porque acreditamos que ciência é curiosidade — e curiosidade não tem gênero. Cada nome recuperado nas próximas páginas é um convite a olhar de novo para os laboratórios, os livros didáticos e as próprias salas de aula.

Por Everlyn e Laura · Reportagem especial 9A
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01

Os cadernos radioativos

Os cadernos de laboratório de Marie Curie ainda estão radioativos e ficam guardados em caixas de chumbo na Biblioteca Nacional da França. Só podem ser consultados com traje de proteção.

02

Filha também Nobel

Irène Joliot-Curie, filha de Marie, também ganhou um Nobel de Química, em 1935. A família Curie soma cinco Prêmios Nobel — o recorde absoluto da história.

03

O nome do polônio

Marie Curie batizou o polônio em homenagem à sua terra natal, a Polônia, que na época estava dividida entre três impérios e não existia como nação independente.

04

Uma turma, uma mulher

Quando Nise da Silveira se formou em Medicina em 1926, havia 157 homens na turma — e ela. Foi a única mulher a se graduar em sua turma da Faculdade de Medicina da Bahia.

05

Rãs e diplomacia

Bertha Lutz descreveu dezenas de espécies de anfíbios brasileiros — e, ao mesmo tempo, foi a única mulher latino-americana entre os signatários da Carta da ONU em 1945.

06

Antes do computador

Ada Lovelace morreu em 1852, aos 36 anos. O primeiro computador eletrônico só seria construído quase um século depois, em 1946. Ela nunca viu uma máquina executar seu algoritmo.

Expediente

Quem faz o 9A Notícias

Este jornal foi inteiramente produzido por alunas e alunos do 9º ano A como trabalho da disciplina de Ciências, PD III. Reportagem, edição, diagramação e revisão saíram das mesmas mãos que apresentaram o projeto.

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